
Elias era um sonhador. Desejava ter um carro novo,uma casa descomunal, viajar pelo mundo a fora. Em seus sonhos de grandeza se via cercado de luxo e belas mulheres.
Mas a realidade era outra . Vivia em bairro humilde e periférico. Casa apertada e sem conforto. Seus pais e irmaõs viviam de pequenos serviços. Todos trabalhavam muito e obtinham apenas o suficiente para viverem. Apesar das dificuldades viviam em harmonia .O pai ea mãe de Elias eram umbandista,frequentavam um terreiro ali nas proximidades. Sentiam-se bem quando incorporavam.
Sabiam que a mediunidade era um dom de Deus. Sentiam-se honrados por servirem de instrumentos de comunicação para os espíritos. Atrvés deles, pretos-velhos, baianos, marujos, caboclos, êres, exus,e diversos amigos espirituais prestavam a caridade. E foi justamente o Exu do pai de Elias ( senhor EXU REI ) que alertou para que tivessem cuidados redobrados com o jovem sonhador.
E de fato, como sempre Exu estava certo. Elias não se interessava mais em estudar. Achava graça dos irmãos que tanto se esforçavam e tão pouco possuíam. Ele não...
Esperava a sorte grande, sabia que ela lhe sorriria.
O que ele não sabia é que, ao pensar assim, na realidade, atraia espíritos trevosos, kiumbas que sirriam de felicidade em saberem que poderiam usá-lo.
Ospais e irmãos de tudo temteram para fazê-lo ver a realidade. Mas qual?
Não demorou e ele já participava de gangues no bairro.
Daí para furtos não demorou muito.
Com a ambição aumentando surge a participação em assaltos. O dinheiro entrava, mas era gasto com futilidades. A família nunca aceitava nada do que ele ganhava. Tinham seus pricipios.
Exu Rei sempre aconselhava para que todos unissem forças em beneficio do jovem Elias . Ainda havia chance de recuperação, Dizia o Exu.
A casa da família era cercada pelas falanges de Exu que protegiam o ambiente das energias negativas dos kiumbas. Um enorme círculo de fogo astral foi erguido ao redor da casa.
Tque estivessem de entrar ali passariam pelo fogo, que, ato contínuo, descarregaria a pessoa e se fosse alguém do submundo astral seria tragado pelas chamas. Assim a família seguia protegida.
Mas, uma tarde, Elias acabou por cometer seu primeiro assassinato. Um homem reagiu ao assalto eo novato assaltante movido pelo medo de ser preso apertou o gatilho.
O sangue da vítima espirrou forte e a expressão de dor e desespero dela numca mais sairia da cabeça do jovem marginal. Elias se recolheu em casa durante dias,e chegou a sonhar em parar com os crimes, mas os kiumbas lá de fora da casa emitíam-lhe energias densas e o incentivavam a continuar.
E cada vez mais faziam com que sonhasse em ser rico e poderoso.
E foi justamente um sonho que mudou o rítmo de sua vida: sonhou que estava numa mansão, cercado de tudo o que sempre desejou. Estava só,nessa casa, mas sentia-se vigiado.
Teve vontade de beber algo e ao chamar o mordomo, sentiu um forte cheiro de podre que invadia o ar. Passos em sua direção: um corpo em decomposição vinha trazendo uma taça cheia de sangue. Elias quer gritar, mas o medo impede, lembra-se de sua arma. Imediatamente ouve gargalhadas. Vira-se e depara comum homem negro ,com uma coroa na cabeça e um cedro de luz nas mãos.
Exu Rei mostrava-se para ele.
Falou que a única arma que lhe valeria nesse momento era o arrependimento pelos erros cometidos e a coragem de assumir o resultado de seus atos.
Enquanto Exu falava, o ser apodrecido estava bem próximo do jovem, que notou que aquele ser era a sua vítima no assalto. Teve medo, chorou pedindo perdão.
Nesse momento, Exu Rei interveio e a figura sinistra sumiu, sendo carregado por uma luz intensa. Estranhamente Elias sentiu que a luz era algo de bom e quis ir até ela também. Mas
Exu não deixou, falou que ele teria um longo caminho até ser aceito por aquela luz.
E Elias chorou como criança. No fundo ele sabia que Exu estava certo.
Ao acordar banhado de suor ele estava mudado.
Nesse mesmo dia foi preso. Julgado e condenado. Amargou anos de prisão e sofrimento. Seus pais e irmãos sempre lhe visitavam trazendo carinho e amparando-o nessa jornada.
Quando finalmente veio a liberdade, sabia que deveria seguir os conselhos que Exu sempre
tentara lhe dar. Ena primeira noite de liberdade sonhou que estava na mesma casa.
Dessa vez Exu Rei apareceu-lhe ao lado da luz e falou que agora ele estaria apto a segui-la
quando fosse chamad. Exu o abraçou com carinho e desejou-lhe sorte na nova vida.
Ao acordar, Elias relata o sonho ao pai que, emocionado, vai acender velas para Exu agradecen-lhe por ser seu protetor. Na casinha Elias o ajuda a acender as velas e tratar de Exu.
Nunca mais teve sonhos de grandeza, achou emprego, retomou os estudos, passou a frequentar o centro. eteve uma vida feliz e digna. Sempre esperou o reencontro com a luz.
E quando este dia chegou, partiu contente... Sentiu Exu por perto, ouviu a risada e desta vez riu também, estava feliz...
LAROIÊ EXU REI !
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